3 de Agosto, 2020

O que faz uma boa ração para cães e gatos? (I)

Todos os donos de cães e gatos devem investir tempo a analisar as rações disponíveis no mercado. A oferta é muita e temos a possibilidade de, sem gastar fortunas, oferecer-lhes uma boa alimentação.
boa alimentacão I

É absolutamente consensual que a qualidade da ração está intimamente ligada com a saúde dos nossos patudos. Felizmente, existem cada vez mais rações no mercado, muitas das quais de excelente qualidade. No entanto, é muito importante que todos os donos consigam perceber o que constitui uma boa ração.

Todos os donos devem investir algum tempo a analisar algumas das rações disponíveis no mercado. Actualmente, a oferta é muita e temos a possibilidade de, sem gastar fortunas, oferecer uma alimentação adequada aos nossos cães e gatos.

Importa termos o conhecimento necessário para saber escolher uma ração de qualidade. Para isso, é preciso saber ler o rótulo e não cair em ilusões com o que está escrito na embalagem, o que implica: conhecer a legislação sobre a produção de ração; conhecer as principais estratégias de marketing; e conhecer o significado nutricional dos ingredientes listados.

Neste texto, explicaremos o essencial relativamente à legislação sobre a produção de ração. Posteriormente, serão publicados mais dois textos, um sobre as estratégias de marketing e outro sobre o impacto nutricional dos ingredientes.

Legislação sobre a produção de ração

Antes de mais, é preciso distinguir, aos olhos da lei, o que é alimento completo para animais relativamente ao que é alimento complementar para animais.

  • Alimento completo para animais: a sua composição permite que seja usado como ração diária. É considerado seco se tiver menos de 14% de humidade, semi-húmido se tiver mais de 14% e menos de 60% de humidade, e, finalmente, húmido se tiver mais de 60% de humidade.
  • Alimento complementar para animais: a sua composição é insuficiente para ser dado como ração diária, servindo apenas como complemento (ex: biscoitos).

Segundo as regras europeias de rotulagem, a lista de matérias-primas ou ingredientes que compõem a ração deve ser apresentada por ordem decrescente, de acordo com o peso que cada ingrediente tem para o peso total da ração. Muitas vezes, a percentagem do peso de cada ingrediente vem devidamente discriminada.

Ainda no que respeita às regras europeias de rotulagem, é obrigatório que esteja presente a lista de constituintes analíticos, ou seja:

  • Proteína Bruta
  • Gordura Bruta
  • Fibras Brutas
  • Cinza Bruta
  • Humidade

Se somarmos todos estes constituintes veremos que nunca chega a 100%. Essa diferença corresponde precisamente aos hidratos de carbono. É importante fazermos esta conta simples para sabermos o real peso dos hidratos no peso total da ração.

ração para cães

Relativamente à quantidade de carne (ou peixe) na ração, é fundamental que seja o principal ingrediente e que tenha um peso muito significativo. Uma ração que apresente, por exemplo, apenas 15% de carne, é manifestamente má, levando ao surgimento de algumas patologias, como a cardiomiopatia dilatada, associadas a carências de aminoácidos presentes nas proteínas de origem animal.

Ainda relativamente à proteína, interessa ao consumidor dominar os seguintes termos, presentes nos rótulos em consonância com as regras europeias, para fazer uma escolha adequada:

  • Alimento com sabor a frango – Menos de 4% de frango
  • Alimento com frango – Pelo menos 4% de frango
  • Alimento rico em frango – Pelo menos 14% de frango
  • Alimento de frango – Pelo menos 26% de frango
  • Aquilo que devemos seleccionar é sempre uma ração que diga “Alimento de Frango”, “Alimento de Salmão”, ou de qualquer outra proteína.

É também importante verificarmos se a ração tem uma boa quantidade de vegetais e frutas, uma vez que são ricos em vitaminas, fibras e minerais.

As regras europeias de rotulagem obrigam a que os Alimentos Geneticamente Modificados, cuja sigla é GMO, estejam declarados no rótulo. Os que mais vemos nas rações são: milho, soja, trigo, batata, beterraba e colza.

O uso do termo “fresco” também está sujeito a obrigações. Um ingrediente que seja apresentado como fresco, não poderá ter sofrido um processamento mecânico ou químico antes do fabrico da ração. Ou seja, quando vemos “carne fresca” significa que a carne foi apenas refrigerada. Por outro lado, se virmos “carne desidratada”, significa que a carne sofreu um processo de desidratação.

Os produtos frescos têm um peso diferente de matéria seca, que importa saber:

  • Carne fresca – 25% de matéria seca
  • Legumes frescos – 10% de matéria seca
  • Cereais – 85% de matéria seca

Finalmente, quanto ao uso do termo “Grain-free”, serve para indicar que a ração não tem cereais ou que contém, apenas, vestígios. Naturalmente, isso poderá oferecer melhor qualidade à ração, contudo, se uma ração tiver carboidratos de baixo Índice Glicémico, poderá também ser de óptima qualidade. A farinha de trigo, a batata ou a aveia têm um elevado Índice Glicémico, não sendo aconselháveis como hidratos. Por outro lado, as lentilhas, a maçã ou o feijão têm um Índice Glicémico mais baixo, adequando-se melhor à ração dos nossos patudos.