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Tudo sobre Cães

25.08.2020

O QUE FAZ UMA BOA RAÇÃO PARA CÃES E GATOS? (II)

Tópicos: Alimentação
Depois de termos falado acerca da legislação sobre a produção de ração, falaremos agora sobre as estratégias de marketing das empresas de produção de alimentação para animais.

Se queremos escolher uma boa ração para os nossos patudos, questão fundamental para a sua saúde e bem-estar, teremos de saber o significado de determinados termos muito utilizados pelo marketing das empresas que produzem alimentos para animais.

Este é o segundo texto de uma série de três sobre o que faz uma boa ração para cães. Depois de, no texto anterior, o foco ter sido a legislação sobre a produção de ração, neste texto falaremos sobre os principais termos de marketing utilizados pelas empresas de rações. Finalmente, no último texto, falaremos sobre o significado nutricional dos ingredientes.

Perante uma oferta tão diversificada, é do interesse de todos os donos saberem o significado dos termos que aparecem nas embalagens de rações. Sabendo o significado, terão maior capacidade para não se deixarem equivocar por algumas estratégias de marketing e para fazerem uma escolha acertada.

 

Marketing nas embalagens de rações

As estratégias de marketing visam sempre aumentar o volume de vendas através da exploração de diversas formas de comunicação. Para cada sector de mercado, existem termos específicos que os consumidores devem saber interpretar. No sector de mercado que nos interessa, o de rações para animais domésticos, particularmente para cães e gatos, existem sete termos que nos parecem especialmente importantes que os consumidores saibam interpretar correctamente:

1. Alimento Orgânico – Este termo significa que, pelo menos, 95% dos ingredientes utilizados na ração contêm o selo de produto orgânico.

2. Alimento Natural – Termo que significa que os ingredientes utilizados não foram sujeitos a processos químicos antes do fabrico da ração. Ainda assim, a ração pode ter alguns aditivos químicos, como vitaminas, minerais ou antioxidantes.

3. Alimento Hipoalergénico – Quando os nossos patudos têm alguma intolerância alimentar, tendo, portanto, alergia a algum alimento, normalmente de origem animal, é lhes recomendado um alimento hipoalergénico. A proteína deste alimento, quase sempre apresentado em forma de ração, é hidrolisada, ou seja, é sujeita a um processo químico que visa decompor as suas moléculas e, assim, retirar aquelas que potencialmente podem causar alergias.

Mas a ração hipoalergénica não contém necessariamente uma proteína hidrolisada, podendo também conter uma proteína pouco comum, cuja composição, supostamente, não é passível de causar alergias.

As rações hipoalergénicas não têm glúten, uma vez que este é um composto de proteínas de armazenamento que pode dificultar o processo digestivo e causar alergias.

Ainda assim, é fundamental que todos os donos saibam que não existe uma definição legal para alimento hipoalergénico, levando, por consequência, a uma certa ambiguidade no uso do termo.

4. Human Grade Food – Traduzido, este termo significa “comida apropriada para consumo humano”, o que poderá atestar a sua qualidade. Contudo, não existe qualquer definição legal para este termo.

5. Alimento Sustentável – Provavelmente, este é um dos termos utilizados pelas marcas de rações mais ambíguos. Cada marca pode utilizá-lo pelos motivos que entender e, à semelhança dos dois termos anteriores, não existe uma definição legal que permita classificá-lo.

6. Aprovado/recomendado por veterinários – Eis mais um termo sem definição legal. A ideia é passar uma mensagem de credibilidade e a qualidade da ração poderá, até, ser muito boa. Mas a questão que se coloca é: quais são os veterinários que a aprovaram e/ou recomendaram?   

7. Holístico – Finalmente, e como não podia deixar de ser, o último termo desta lista também não possui uma definição legal. O que as marcas de ração pretendem transmitir é que este alimento é constituído por um conjunto de ingredientes naturais e de qualidade, que no seu todo promovem a saúde e o bem-estar do animal.

Independentemente dos termos usados e do poder de marketing de cada marca de ração, devemos basear sempre a nossa escolha numa leitura atenta do respectivo rótulo. É da responsabilidade de cada dono fazê-lo e o tempo investido nessa tarefa terá, certamente, um retorno na saúde do seu cão.

 

Fontes das imagens: 1ª - Dog Food Insider | 2ª - Wikimedia Commons (Organikjenny)