
O Bulldog Americano descende do antigo Bulldog Inglês, uma raça de trabalho extinta que ficou conhecida no Reino Unido nos séculos XVII, XVIII e XIX pela sua força e determinação, levando-a a ser utilizada para a captura de bois bravos, para a guarda de propriedades e para os sangrentos combates contra touros (Bull-baiting). Quando esta bárbara actividade foi proibida em terras de sua majestade, no ano de 1835, o antigo Bulldog Inglês quase desapareceu, dando lugar a muitas outras raças, designadamente ao Bulldog Ingês (moderno), menos atlético, mais pequeno e mais sociável.
Mas muitos emigrantes ingleses e irlandeses que se estabeleceram nos Estados Unidos da América (EUA), durante os séculos XVIII e XIX, levaram consigo antigos Bulldogs Ingleses para os ajudarem na guarda e no controlo de gado bovino e suíno nos ranchos, sendo também utilizados na caça grossa, designadamente de veados e ursos. Estes emigrantes, que pertenciam a uma classe trabalhadora que ambicionava melhores condições de vida no outro lado do atlântico, preservaram as características do antigo Bulldog Inglês, factor que se verificou essencialmente no sul dos EUA e, particularmente, no estado da Geórgia. Foram precisamente estes cães de trabalho que deram origem ao Bulldog Americano.
A Segunda Grande Guerra deixou esta raça à beira da extinção, como aconteceu com inúmeras outras raças. Graças a um conjunto de criadores, muito especialmente ao veterano de guerra John D. Johnson e a Alan Scott, o Bulldog Americano foi recuperado através de um registo rigoroso dos acasalamentos e de um foco centrado nas questões de saúde e nas capacidades de trabalho.
No entanto, estes dois criadores viriam a ter posições diferentes no que se refere à conformação da raça, o que acabou por dar origem a duas linhagens (na verdade, mais linhagens foram concebidas por outros criadores mas tiveram pouco impacto): Johnson; e Scott. Os exemplares da linhagem Johnson são mais musculosos e robustos, ao passo que os da linhagem Scott são mais atléticos e ágeis. Com o passar dos tempos, estas (e outras) linhagens foram sendo cruzadas entre si, levando a que o Bulldog Americano moderno seja o resultado destes cruzamentos.
Actualmente, o Bulldog Americano está presente um pouco por todo o mundo, servindo como cão de companhia e de trabalho.
O aguçado instinto territorial, a desconfiança relativamente a estranhos, a tenacidade e o poderio físico do Bulldog Americano fazem dele um excelente cão de guarda. Muito fiel ao dono em particular e à sua família em geral, mostra-se bastante dócil com as crianças. Ainda assim, como é natural, dado o seu tamanho e os seus movimentos desajeitados, esta relação deve ser monitorizada pelos mais velhos. A boa-disposição e o afecto que mostra sempre relativamente a toda a sua família fazem dele um bom cão de companhia.
As suas necessidades físicas são exigentes, uma vez que é uma raça desenvolvida para o trabalho. Assim, caso viva num apartamento, é absolutamente fundamental que os seus donos lhe proporcionem bons passeios diários, onde possa correr livremente, e jogos que promovam a estimulação mental. Deportos como o agility ou o mondioring são excepcionais, pois oferecem simultaneamente estimulação física e mental.
A necessidade de estar activo reflecte-se na sua aptidão para a caça, designadamente para a caça grossa. Este instinto de presa pode revelar-se um problema, uma vez que poderá ter tendência para caçar outros animais de estimação. A juntar a isto, pode não tolerar cães do mesmo sexo, pelo que é imprescindível proporcionar-lhe uma socialização desde tenra idade para que aprenda a relacionar-se com outros cães de forma adequada.
A força, a desconfiança para com estranhos e a potencial agressividade para com outros cães fazem com que esta não seja a raça ideal para donos com poucos conhecimentos de comportamento e psicologia canina. Nas mãos de educadores experientes, que assentem o seu treino nos princípios do reforço positivo, o Bulldog Americano será um cão amigável com todos e, graças à sua inteligência, poderá surpreender pelos comandos que será capaz de executar.
Embora tenha sido desenvolvido nos ranchos dos EUA, passando a maior parte do tempo no exterior, o Bulldog Americano não tem grande protecção contra climas mais severos, pelo que importa propiciar-lhe um abrigo que o proteja eficazmente durante a noite.

O Bulldog Americano foi desenvolvido principalmente como raça de trabalho, pelo que os aspectos funcionais tiveram uma maior preponderância relativamente aos aspectos estéticos. Não admira, portanto, que existam exemplares com diferentes tamanhos e colorações, levando a que a raça não tenha sido reconhecida, ainda, pela generalidade dos grandes clubes internacionais, nomeadamente pela Fédération Cynologique Internationale (FCI) e pelo American Kennel Club (AKC).
Todavia, alguns clubes importantes já reconheceram o Bulldog Americano, dos quais se destacam o United Kennel Club (UKC), o National Kennel Club (NKC) e o American Bulldog Registry & Archives (ABRA).