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Barbado da Terceira

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O pastor açoriano

No início do povoamento do arquipélago dos Açores, por volta do século XV, a pecuária ganhou, desde logo, bastante importância na economia local. Não admira, portanto, que tivessem sido importados do continente cães pastores. As origens do Barbado virão, provavelmente, dos cães que eram utilizados no maneio do gado bravo. Estes cães, ao adaptarem-se na perfeição ao clima da Ilha Terceira, foram desenvolvendo um conjunto de apetências muito apreciadas pelos locais.

Interessa também referir que, por um lado, para a criação do Barbado da Terceira que hoje conhecemos, terão contribuído, possivelmente, os cães trazidos por embarcações de outras paragens, uma vez que os Açores sempre funcionaram como uma espécie de porto seguro no meio do Atlântico. Mas, por outro lado, o isolamento deste arquipélago, neste caso da Ilha Terceira, terá também tido um impacto importante no desenvolvimento desta raça.

 A partir da década de setenta do século passado, os terceirenses passaram a dar maior importância ao Barbado. Ainda assim, foi preciso esperar até 1996 para que fosse publicado um estudo, da autoria do Dr. Deocleciano Silva, sobre as origens, o desenvolvimento e o número de exemplares da raça. Vários investigadores procuraram aprofundar este estudo e criaram a Associação Açoriana de Criadores do Cão Barbado da Terceira. Coube ao Dr. Artur Machado, após um longo trabalho de investigação, concluir que existiam 80 cães que possuíam variadíssimas características comuns, inclusivamente genéticas, e que, por isso, representavam uma raça.  

Reconhecido pelo Clube Português de Canicultura (CPC) desde 2004, o Barbado da Terceira continua a exercer as suas funções de condutor de gado. Contudo, apesar de também ser utilizado como cão de guarda, é cada vez mais estimado como cão de companhia, estando em franco crescimento em Portugal.

temperamento

Tudo pelo dono, nada contra o dono

Extremamente ligado ao seu dono, o Barbado da Terceira não é um cão de ficar parado o dia todo, precisando de ser suficientemente bem estimulado física e psicologicamente. A sua permanente vontade de seguir o dono para todo o lado torna-o num cão inconveniente para pessoas que passem muito tempo fora de casa.

É um excelente cão de família, mostrando-se afável com todos à sua volta. Contudo, perante presenças estranhas, como acontece com muitos cães pastor, é desconfiado, o que o leva a ser usado como cão de guarda. Para que tenhamos um Barbado equilibrado e sociável, é crucial que se faça uma socialização desde tenra idade.

A sua vontade de interagir com a família aliada à sua inteligência tornam esta raça relativamente fácil de treinar. Apesar de ser ainda muito utilizada para o trabalho, o facto de se conseguir adaptar à vida num apartamento, aliado às qualidades acima mencionadas, fazem com que existam cada vez mais exemplares a viverem nas cidades.

saúde

Como acontece com as raças rústicas, o Barbado da Terceira é um cão genericamente saudável. Ainda assim, pelo facto de ser uma raça de médio/grande porte, pode desenvolver displasia da anca, pelo que é necessário fazer o despiste da doença.

Os cuidados com a pelagem também são importantes. Uma vez que larga muito pouco pêlo, o que o torna num bom cão para pessoas com alergia, não fazendo a muda entre as estações do ano, é particularmente importante remover o pêlo morto. Caso não seja escovado regularmente, poderão formar-se grandes nós e rastas que, para além de trazerem desconforto para os cães, poderão originar problemas dermatológicos.

Este tipo de pêlo que o Barbado possui permite-lhe adaptar-se bem ao frio e ao calor. Esta característica foi desenvolvida durante a adaptação ao clima insular.  

características

Curiosidades

O Barbado da Terceira foi a décima raça portuguesa a ser reconhecida pelo Clube Português de Canicultura e pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária.

 

Nota: Todas as fotografias expostas do Barbado da Terceira foram gentilmente cedidas pelo Clube Português do Barbado da Terceira e respectivos sócios.