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Mastim Napolitano

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O imponente guardião de propriedades

O grande ancestral do Mastim Napolitano, tal como acontece com o Cane Corso, é o célebre molosso da Roma Antiga, Cane Pugnax, tão bem descrito pelo escritor romano Columella. Este cão tinha essencialmente duas funções: cão de guarda, destacando-se pelo seu tamanho e pela cor do pêlo que faziam com que assustasse os ladrões durante o dia e passasse despercebido durante a noite; e cão de guerra, tendo acompanhado as legiões romanas nas suas campanhas militares, nomeadamente em território britânico ao serviço de Júlio César.

Muitas raças de mastins que hoje existem na Europa descendem do Molosso Romano, que por sua vez descende dos mastins asiáticos (designadamente do Mastim Tibetano) trazidos para a Europa por Alexandre, o Grande. A própria palavra mastim (em inglês mastiff) deriva da palavra latina “massivus”, que significa maciço.

O Cane Pugnax foi se modificando com o passar dos séculos, assumindo uma evolução diferente consoante a região geográfica. Nas áreas rurais em torno do Vesúvio, perto de Nápoles, na região da Campânia, foi se apurando uma raça, a que hoje chamamos Mastim Napolitano, que mantinha muitas das características fundamentais do seu ancestral romano.  

A II Guerra Mundial levou esta raça quase à extinção, como aconteceu, aliás, com tantas outras raças. Foi graças a um conjunto de criadores entusiastas, nomeadamente Piero Scanziani, que se iniciou, a partir de 1947, a recuperação do Mastim Napolitano. Dezoito anos depois, em 1965, foi aprovado o primeiro padrão da raça, já baptizada com o nome pelo qual hoje a conhecemos.

O plano de recuperação do Mastim Napolitano obedeceu às suas funções originais, que se relacionam com a guarda e protecção. Graças às características que fazem dele um excepcional guarda de propriedades, atingiu um estatuto que se estende por todo o mundo. As pregas da pele, precisamente uma das características mais conhecidas do Mastim Napolitano, tinham (e continuam a ter, apesar de terem sido ampliadas por motivos estéticos) a função de protegê-lo no caso de ser atacado.

A forte ligação afectuosa que desenvolve com a sua família tem ajudado este colossal mastim a manter-se presente um pouco por todo o continente europeu e americano.

temperamento

Um gigante em afecto e teimosia

Excepcional cão de guarda, sendo considerado um dos melhores guardiões de propriedades, o Mastim Napolitano tem um instinto territorial e de protecção da família muito aguçado, fazendo com que seja naturalmente desconfiado com estranhos. O seu tamanho colossal e os seus movimentos lentos escondem a rapidez surpreendente com que age em caso de perigo, só atacando se tiver um motivo.

A ligação que desenvolve com a sua família é muito forte, com quem se mostra sempre afectuoso. Geralmente, é cuidadoso e gentil com as crianças, tentando não as derrubar. Ainda assim, como acontece com qualquer cão, é fundamental que esta interacção seja sempre supervisionada.

O tamanho, a força e o carácter dominante e independente desta raça fazem com que não seja a ideal para pessoas sem experiência no treino de cães. De facto, o Mastim Napolitano não é fácil de treinar, sendo preciso saber comunicar bem e impor uma disciplina que o leve a respeitar os comandos do dono. É essencial apostar desde tenra idade numa sociabilização activa com pessoas e cães para que não se torne agressivo e para que, deste modo, desenvolva relações saudáveis fora do âmbito familiar.

Finalmente, para aqueles que não gostam de baba ou que pretendem um cão atlético que os acompanhe nas suas corridas, o Mastim Napolitano não é a escolha certa. Mas também não é para os mais sedentários, já que é importante providenciar-lhe bons passeios diariamente.

saúde

As doenças que mais podem afectar o Mastim Napolitano são a displasia da anca, a miopatia do músculo cardíaco e as infecções de pele.

Relativamente à displasia da anca, também conhecida como displasia coxofemoral, trata-se de um problema no encaixe da articulação do quadril, causando dor e dificuldades na locomoção. Esta doença incide sobretudo nos animais de grande porte, uma vez que o rápido crescimento pode levar à perda de cálcio em alguns ossos. Sendo assim, é muito importante ter um acompanhamento veterinário desde cachorro para ajudar a manter os níveis adequados de cálcio, um mineral essencial para o funcionamento do organismo, particularmente para a estrutura óssea.

Quanto à miopatia do músculo cardíaco, esta pode ser causada por defeitos cardíacos congénitos, mas também por infecções que podem afectar os cães com uma idade avançada.

Finalmente, no que diz respeito às infecções de pele, estas podem ser causadas por carrapatos, pulgas, bactérias, fungos ou inflamações. As pregas na pele do Mastim Napolitano devem ser regularmente inspeccionadas, sendo fundamental mantê-las secas e limpas.

Como acontece com qualquer outro cão mas especialmente com cães mais exigentes em termos de cuidados de saúde, como é o caso desta raça, deve-se dar uma ração de qualidade, que possua as quantidades de proteínas, vitaminas e cálcio suficientes para suprir as necessidades nutricionais.  O apetite voraz do Mastim Napolitano deve levar o dono a dosear bem as porções para evitar que fique obeso e que possa sofrer uma torção gástrica, a qual ocorre normalmente em cães de grande porte. Após as refeições, é importante limpar bem as pregas, uma vez que podem ficar bastante sujas.

O exercício físico é também crucial para a saúde da raça, sendo aconselhável a prática regular de caminhadas. Deve-se evitar que durma em superfícies duras, por forma a que não se formem calosidades nos cotovelos e nos joelhos.

características

Curiosidades

No vasto mundo dos cães, o Mastim Napolitano destaca-se por possuir uma das maiores cabeças.