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Tudo sobre Cães

13.05.2020

COVID 19: O IMPACTO NO COMPORTAMENTO DO SEU CÃO

Tópicos: Comportamento
A acrescentar aos problemas a nível familiar, profissional e social, a pandemia causada pela Covid-19 traz, ainda, problemas acrescidos a todos os donos de cães.

Todos sabemos que o confinamento a que temos sido sujeitos tem um grande impacto no nosso comportamento. Sabemos também que esse impacto varia em função da estrutura mental de cada um e das condições em que vive. Ora, com os cães acontece exactamente o mesmo e é importante que todos os donos tenham consciência disso. Havendo essa consciência, importa adoptar as melhores medidas para contrariarmos o que de mais negativo possa vir desse impacto.

Para além de todos os desafios que o confinamento traz ao nível familiar, profissional e social, teremos ainda que acrescentar, para todos os donos de cães, os desafios que as mudanças comportamentais dos nossos patudos trazem. Naturalmente, esta situação não lhes é indiferente e terá repercussões no seu comportamento, que se farão sentir, principalmente, quando voltarmos a sair de casa com maior frequência.

Não pretendemos falar de todos os problemas comportamentais que possam surgir. O que queremos é salientar os dois problemas que nos parecem mais relevantes para quem vive num contexto urbano: ansiedade por separação e reactividade com outros cães.

Ansiedade por separação: o meu cão vai saber voltar a ficar sozinho em casa?

As nossas rotinas foram inevitavelmente alteradas pelo coronavírus e o consequente confinamento a que nos obrigou. Se qualquer mudança de rotina tem impacto no comportamento dos cães, imaginem o impacto que esta mudança abrupta significa para eles. De entre tudo o que mudou, aquilo que mais se destaca é o facto de passarmos muito mais tempo em casa.

Esta mudança é uma novidade fantástica aos olhos dos nossos patudos, que se vão habituando à nossa presença quase constante. Porém, aquilo que eles não sabem é que a maioria de nós voltará a passar muitas horas fora de casa. Ora, esta nova mudança, ao contrário da anterior, representará um desafio difícil que eles terão que ultrapassar. 

Cada cão é um cão, pelo que a dificuldade em lidar com esta mudança não será igual para todos. Infelizmente, para muitos será difícil de suportar, estando susceptíveis a desenvolver um distúrbio comportamental designado por ansiedade de separação. Os cães que sofrem deste problema atingem grandes níveis de ansiedade e medo quando os seus donos estão ausentes de casa, roendo mobílias, sofás, almofadas, sapatos, entre outros objectos, bem como ladrando incessantemente.

Reactividade e até mesmo agressividade com outros cães

O confinamento reflectiu-se também na qualidade dos passeios dos nossos patudos. Para a grande maioria deles, o tempo de socialização com outros cães reduziu-se drasticamente. Quanto mais tempo passa sem essa socialização, maiores serão os níveis de energia acumulados e, por consequência, maiores serão os níveis de ansiedade, o que se poderá reflectir numa deterioração da capacidade de comunicação.

Quando o coronavírus estiver controlado, a grande maioria dos cães regressará a uma relativa normalidade e, assim, voltará a brincar com outros cães. O problema é que o excitamento será tal que poderá levar a uma deficiente comunicação e, por consequência, a um potencial conflito.

Para os cachorros, esta situação será ainda mais sensível. É nos primeiros meses de vida que os cães melhor aprendem a relacionar-se com estranhos, quer sejam pessoas ou outros cães. Qualquer treinador ou pessoa com conhecimentos de comportamento canino sabe que é fundamental apostar numa socialização activa e controlada desde tenra idade. Contudo, o distanciamento social a que o Covid-19 nos obriga pode prejudicar seriamente esta socialização, aumentando a probabilidade de estes cachorros se tornarem desconfiados com outros cães e com pessoas desconhecidas, o que poderá levar a um comportamento reactivo e, até, agressivo.

Quais as soluções para estes problemas? Podemos evitá-los?

No que respeita à ansiedade de separação, é fundamental que todos aqueles que ainda passam o tempo quase todo em casa comecem a preparar os seus cães para o dia em que voltarão a passar grande parte do tempo fora. Isso implica sair de casa, aumentando gradualmente o tempo em que o cão está sozinho e, assim, fazendo com que se volte a habituar lentamente a estar em casa sem a companhia dos donos, não tendo que passar por uma mudança abrupta.

Para os donos que constatarem que os seus cães já desenvolveram este distúrbio comportamental, aconselhamos vivamente a que contactem um treinador o mais rapidamente possível, uma vez que, como com qualquer outro problema, quanto mais cedo se começar a resolvê-lo mais fácil e celeremente poderá ser solucionado. 

Quanto à reactividade com outros cães, os donos devem fazer tudo o que está ao seu alcance para que a pandemia não impeça os seus patudos de socializarem. O convívio com outros cães é imprescindível, pelo que qualquer dono terá sempre de garantir que esse convívio aconteça.

Para os donos que tiverem dificuldades em proporcionar esse convívio, recomendamos que inscrevam os seus patudos numa creche canina ou que contratem um dog walker.