
O Yorkshire Terrier é uma raça desenvolvida no século XIX, em plena Revolução Industrial, pelos mineiros do condado de York (Yorkshire), situado no norte de Inglaterra. Estes operários, que trabalhavam nas minas de carvão de West Riding, cruzaram vários terriers, nomeadamente o Paisley, o Black and Tan, o Scottish, o Airdale e, possivelmente, o Skye, o Dandie Dinmont e o Maltês, para desenvolver um cão muito pequeno, facilmente transportável e capaz de caçar ratos nas minas.
Ainda assim, estes cães eram maiores e mais robustos comparativamente aos que vemos actualmente. A sua miniaturização começa na segunda metade do século XIX e, em 1865, nasce aquele que viria a ser considerado o primeiro exemplar da raça, chamado Huddersfield Bem, que viria a ganhar vários prémios em concursos onde o objectivo era matar o máximo de ratos possível, dentro de um determinado período de tempo.
Já no final do século XIX, quando a Rainha Vitória do Reino Unido adquiriu um exemplar desta raça, tornando-a famosa entre os mais abastados, o Yorkshire Terrier passou das minas e dos bairros operários para os palácios e grandes propriedades da alta burguesia e aristocracia britânica.
Nos anos trinta do século XX, esta raça já tinha uma aparência igual àquela que hoje conhecemos, embora ainda existissem exemplares com tamanhos bastante diferentes.
Actualmente, o Yorkshire é conhecido nos quatro cantos do mundo, sendo, de todos os terriers, o mais popular.
O Yorkshire Terrier – carinhosamente conhecido, entre os seus fãs, como Yorkie – é uma raça com uma personalidade bastante forte e muito apegada aos donos, de quem necessita de receber muita atenção. Apesar de normalmente ter uma boa relação com crianças, é muito importante que se supervisione o convívio com os mais novos, uma vez que o Yorkie não suportará facilmente os abusos que estes possam eventualmente cometer.
O seu tamanho e beleza aliados à sua inteligência, coragem e determinação, fazem desta raça um excelente cão de cidade, capaz de guardar o apartamento onde vive com toda a dedicação. Estes atributos levam a que, em países como Portugal, esta raça seja a mais popular entre as de porte miniatura.
No entanto, é importante não se deixar levar pela inteligência e pelo olhar meigo do Yorkshire, que pode facilmente convencer os donos a fazerem tudo aquilo que quer. Os limites têm que ser impostos, caso contrário ocupará o trono da casa e não respeitará ninguém. Esta raça não é fácil de treinar, exigindo firmeza e consistência por parte dos donos. Um dos pontos que deve ser treinado é a relação com outros cães que se poderá revelar conflituosa caso não haja uma sociabilização desde cedo.
Sendo um cão com muita energia, é importante proporcionar-lhe exercício físico para que se mantenha equilibrado física e psicologicamente.

Smoky era o nome de uma cadela Yorkshire Terrier que se tornou numa heroína da Segunda Guerra Mundial.
Em 1944, o cabo norte-americano da Força Aérea William A. Wynne, conhecido como Bill, encontrou uma cadela perdida na Nova Guiné, pensando que deveria pertencer aos japoneses. O cabo acabou por ficar com ela, transportando-a consigo nas patrulhas aéreas que realizava. Ensinou-a a fazer truques e esta acabou por se transformar numa autêntica mascote para os soldados, entretendo-os com as suas habilidades e brincadeiras.
Mas Smoky não se ficou pelo entretenimento, tendo participado em 150 ataques aéreos e em 12 missões de resgate. Bill ensinou-a a saltar de paraquedas e a cadela passou pela terrível experiência de estar sob fogo inimigo. Uma das suas maiores proezas aconteceu quando lhe foi confiada a missão de levar um fio telegráfico dentro de um tubo de 22 cm de diâmetro, que passava por debaixo de uma pista de aterragem, com o objectivo de o atar à outra extremidade. Smoky cumpriu a missão e, quando apareceu novamente no lado onde estavam os soldados, foi calorosamente abraçada por estes. De facto, aquela não era uma missão para humanos.
Quando a guerra chegou ao fim, Smoky foi com Bill para os Estados Unidos. Foi então que um jornal contou a sua história e a projectou para o estrelato. Nos dez anos seguintes, a cadela percorreu todo o país, levando milhares de pessoas a verem os seus espectáculos e tendo também participado em vários programas televisivos.
Contudo, Smoky veio a demonstrar mais uma vez que não servia apenas para entreter, tendo sido, provavelmente, o primeiro “cão terapeuta” da História, visitando os veteranos de guerra nos Hospitais para lhes transmitir ânimo, estimular e ajudar a recuperar dos traumas sofridos.
Em 1957, Smoky morreu e passados 48 anos, no dia 11 de Novembro de 2005 (Dia do Veterano), foi inaugurado um monumento em sua homenagem no Cleveland Metroparks, na Reserva de Rocky River, no Estado de Ohio. Neste monumento, Smoky está sentada dentro de um capacete de guerra com uma expressão feliz e alerta, como se estivesse pronta para abraçar o próximo desafio.