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Airedale Terrier

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O rei dos terriers

Esta raça britânica é a maior de entre o grupo dos terriers, razão pela qual mereceu a alcunha de “O rei dos terriers”. A sua origem é alvo de alguma controvérsia, mas, certamente, terá surgido na cidade de Leeds, situada nas margens do rio Aire, no condado de Yorkshire. Os operários desta pequena cidade terão cruzado alguns terriers, como o já extinto Old English Black-and-Tan Terrier, que veio também a dar origem ao Welsh Terrier, com o Otterhound, conhecido nos países lusófonos como “cão de lontra” e que veio dar a esta raça o trunfo de saber nadar muito bem, razão pela qual o Airedale Terrier era inicialmente conhecido como Waterside Terrier. Outro nome pelo qual também já foi conhecido é Bingley Terrier.

A sua função original era a de caçar ratos, texugos, lontras e nútrias, típica do grupo dos terriers que têm a difícil tarefa de apanhar as presas dentro das tocas, o que exige uma grande coragem, tenacidade e resistência. Como bom nadador, o Airedale Terrier pode desempenhar a função de retriever de patos, e, ainda, graças ao seu excelente olfacto, pode também fazer o rastreamento das presas, função tipicamente desempenhada pelos sabujos. Esta multifuncionalidade levou-o, com o passar dos anos, a ser utilizado no Canadá, em África e na Índia para a caça grossa.

Contudo, a polivalência do Airedale Terrier não se fica pela caça. É também capaz de assumir funções como cão de pastoreio e de guarda.

À imagem do que aconteceu com muitas outras raças, o desenvolvimento do Airedale Terrier ocorreu durante o século XIX, onde surgiram as primeiras exposições caninas que pretendiam mostrar as diferentes raças (e os seus atributos) que então existiam. Ficou célebre aquela que talvez tenha sido a primeira exposição canina, organizada pela Airedale Agricultural Society, em 1864, onde muitos terriers dos vales dos rios Aire, Wharfe e Calder foram exibidos.

O impacto do Airedale Terrier levou a que fosse exportado para outros países, ainda nos finais do século XIX. Chegou aos Estados Unidos da América no início do século XX e foi ganhando gradualmente mais popularidade. Theodore Roosevelt, presidente dos EUA entre 1901 e 1909, era um confesso amante da raça e contribuiu para a sua visibilidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), esta raça foi muito utilizada graças à sua bravura e capacidade atlética, sendo capaz de levar mensagens aos soldados em pleno teatro de guerra e, ainda, de encontrar feridos no campo de batalha.  

O prestígio que o Airedale havia alcançado levou a que, mais uma vez, um presidente dos EUA, desta feita Warren G. Harding, que esteve no poder entre 1921 e 1923, se apaixonasse por si. O exemplar de Harding, chamado Laddie Boy, acompanhava-o para todo o lado. Quando jogava golfe e a bola batia numa árvore, o Laddie Boy corria até à bola e trazia-a de volta. Durante as reuniões que o presidente tinha no seu gabinete, o seu cão marcava presença, majestosamente sentado numa cadeira esculpida à mão. Nos aniversários de Laddie Boy, a Casa Branca organizava grandes festas de anos, convidando todos os cães da vizinhança e servindo um bolo especialmente confeccionado para os patudos.

Os jornais da época publicaram entrevistas simuladas a Laddy Boy, que se tornou no primeiro cão a merecer uma forte atenção da imprensa estado-unidense. A paixão do presidente por animais estendia-se também à sua mulher, Florence Harding, que foi uma defensora dos animais maltratados, aproveitando a fama do Laddie Boy para acções de sensibilização e promoção dos direitos dos animais.

A performance do Airedale na Primeira Guerra fez com que voltasse a ser utilizado na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), não só pelo exército britânico, mas também por outros exércitos, polícias e organizações, nomeadamente pela Cruz Vermelha, onde actuava como colector de dinheiro para as operações de salvamento desta instituição de cariz humanitário.

Após a Segunda Guerra Mundial, já nos anos cinquenta, o Airedale Terrier alcançou ainda maior popularidade, tornando-se num dos terriers mais apreciados pelo público em geral, nomeadamente nos EUA, o que o levou a participar em alguns filmes. Contudo, a partir dos anos oitenta, a sua popularidade começou a decrescer, o que se justifica pelo seu forte temperamento, pela relação difícil com outros cães e pela necessidade de fazer muito exercício físico. No entanto, nenhuma destas razões anula o facto de ser um excelente cão de companhia.

temperamento

Carinhoso com os amigos, implacável com os inimigos

O rei dos terriers não só é o maior do seu grupo, como é também o mais inteligente, segundo o famoso ranking de inteligência canina desenvolvido por Stanley Coren. Alegre e obstinado, o Airedale Terrier é muito intenso em tudo o que faz, dando tudo o que tem em cada momento. É muito ligado e carinhoso com os seus donos, tendo geralmente uma boa relação com as crianças, com quem gosta de brincar. Ficar longe da sua família por muito tempo é a pior coisa que lhe podem fazer, uma vez que, acima de tudo, gosta muito de estar acompanhado e odeia ficar sozinho.

Porém, a sua forte personalidade pode dificultar o respectivo treino. É imperativo proporcionar a um Airedale um treino consistente desde tenra idade, sob pena de se perder o controlo e de este ficar um cão desobediente, destruidor e brigão. Sendo assim, qualquer pessoa que pretenda adquirir um Airedale tem que estar preparada para treinar uma raça com este perfil, o que exigirá a capacidade para se saber impor sem recorrer a métodos violentos. 

O temperamento, a coragem e a vivacidade do Airedale fazem dele um bom cão de aguarda. Sempre alerta e determinado a actuar, fará sempre tudo o que estiver ao seu alcance para defender a sua família e o seu território.

A socialização desde muito cedo com outros cães é muito importante, uma vez que um Airedale não socializado será, muito provavelmente, reactivo.

Outro aspecto importante a salientar é a necessidade que o Airedale Terrier tem de fazer actividades que lhe proporcionem bastante exercício físico e, também, estímulo mental. Não é por acaso que esta raça almejou prestígio nas provas de agility e de obediência.

Um Airedale Terrier bem treinado, exercitado e socializado é um grande companheiro para uma família. Ficou célebre, por isso, a frase do livro How to Raise and Train an Airedale, da autoria de Evelyn Miller e de Louise Van Der Meid, que o descrevia assim:” Ele é um dos poucos que pode hoje seguir o rasto de um jaguar e amanhã cuidar de um bebé”.

saúde

Como acontece com as raças de grande porte, o Airedale Terrier pode sofrer de displasia coxo-femoral (ou da anca), que ocorre quando a cabeça do fémur não fica bem fixa na cavidade articular da anca, movendo-se para trás e para a frente. A osteoartrose das articulações da anca são um dos primeiros sinais que aparecem.

Outro problema que pode ocorrer e que também é típico das raças de grande porte é a torção gástrica, onde, basicamente, o estomago torce-se sobre si mesmo, levando à formação de um nó. Quando isto acontece estamos perante uma emergência veterinária, sendo fundamental levar rapidamente o cão ao veterinário, sob pena de este morrer assolado por uma dor extremamente intensa.

Ao nível do sistema endócrino, poderá ocorrer uma doença chamada hipotiroidismo, que ocorre quando a glândula tiroide não produz hormonas em quantidade suficiente, levando a situações de obesidade, letargia, fadiga ou de intolerância ao frio.

Também podem ocorrer problemas de pele, nomeadamente dermatites e eczemas.

É muito importante que os olhos, os dentes e, particularmente, os ouvidos sejam limpos com alguma regularidade para evitar problemas, como por exemplo otites.

Os cuidados com a pelagem devem-se consubstanciar numa escovagem regular, de em dois em dois dias, e numa tosquia feita por um profissional duas vezes por ano. A barba deve ser limpa diariamente para se remover a sujidade, designadamente restos de comida que se acumulam rapidamente.

O Airedale Terrier pode adaptar-se à vida num apartamento mas é fundamental para o seu bem-estar físico e para a sua saúde mental a prática de exercício físico diário.

características

Curiosidades

Margaret Marshall Saunders, famosa escritora canadiana da segunda metade do século XIX e primeira do século XX, destacou-se também como defensora dos direitos dos animais. O seu romance mais conhecido, intitulado Beautiful Joe e publicado em 1893, ganhou inúmeros prémios e chamou a atenção do público de todo o mundo, tendo sido o primeiro livro de autoria canadiana a vender mais de um milhão de exemplares, sendo que no final dos anos trinta já havia vendido mais de sete milhões.

Ora, a personagem principal deste livro é precisamente um Airedale, chamado Joe. O livro narra a história verídica de um cão de Meaford, um município localizado na província de Ontário, no Canadá. Vítima de maus tratos por um dono insensível, que lhe cortou as orelhas e a cauda friamente quando era pequeno, Joe foi salvo por uma família que também residia em Meaford e que o integrou no seu seio. Quis o destino, passado algum tempo, que Joe viesse a salvar aquela que era, então, a sua família e que o havia salvo.

A obra-prima de Margaret Marshall Saunders contribuiu fortemente para a consciencialização, um pouco por todo o mundo, dos maus tratos e da crueldade do homem para com os animais.