
Emigrante irlandês e morador na cidade inglesa de Birmingham, James Hinks foi o grande criador desta raça. Cruzando o extinto White English Terrier com o Bulldog (na altura uma raça diferente da que é hoje), Hinks pretendia criar um cão que deslumbrasse os espectadores tanto na luta de cães, como nas salas de exposições. Sabe-se que os cães oriundos destes cruzamentos eram excessivamente volumosos, pelo que é provável que o criador irlandês os tenha cruzado com o Dálmata e com terriers ingleses brancos, de forma a criar um cão que juntasse a tenacidade e a força à agilidade.
Os Bull Terriers chegaram a participar em lutas de touros mas a sua grande reputação no século XIX era motivada pela sua determinação dentro dos ringues de luta de cães, merecendo a alcunha de “gladiador”. Quando, finalmente, esta actividade foi proibida, esta raça passou a ser apreciada nas salas de exposições, bem como cão de guarda e caçador de ratos. Esta mudança de função veio também mudar a sua alcunha, que passou a ser de “cavaleiro branco”.
James Hinks, ao se concentrar no desenvolvimento de Bull Terriers brancos, criou, inconscientemente, alguns problemas de saúde nestes animais, nomeadamente a surdez hereditária, inflamações cutâneas crónicas e doenças cardíacas. Na verdade, o Bull Terrier, ao contrário da maioria das raças que foram apuradas pela sua capacidade em exercer determinadas funções, foi desenvolvido numa óptica morfológica e estética. É por esta razão que a simétrica cabeça desta raça é tão distinta de todas as outras.
O Bully, como lhe chamam os apaixonados por esta raça, está constantemente à procura de brincadeira, entretendo-se com grande facilidade. Absorvido pela enorme curiosidade por tudo o que o rodeia, o Bull Terrier precisa de bastante atenção, caso contrário a mobília e a decoração de casa poderão ser as vítimas.
Com uma boa-disposição sempre presente, esta raça alinha em qualquer aventura. Se for correctamente socializado com outros cães desde cachorro, terá, apesar do seu passado, uma boa relação com eles.
Adora crianças, mostrando uma paciência especialmente grande para os seus abusos. Ainda assim, como acontece com qualquer outro cão, a interacção com os mais novos de ser sempre vigiada.
As traquinices que provocam gargalhadas a todos os que o rodeiam devem, contudo, ser moderadas pelo dono, que se deve mostrar consistente na imposição dos limites que pretende estabelecer.

O Bull Terrier já mereceu um papel importante no cinema, ao representar uma das personagens do filme “Um Porquinho Chamado Babe”.