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Malamute do Alasca

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O maratonista do Árctico

O Malamute do Alasca (em inglês, Alaskan Malamute) é um dos cães de trenó mais antigos do Árctico. Há muitos milhares de anos atrás, os seus antepassados atravessaram a ponte terrestre entre a Sibéria e o Alasca com os povos nativos.

Uma tribo conhecida como Mahlemuts, estabeleceu-se na Península de Seward, localizada na zona mais Ocidental do Alasca e separada da Sibéria pelo Mar de Chukchi. Os Mahlemuts foram os principais responsáveis pelo desenvolvimento desta raça, levando a que tivesse sido baptizada com o seu nome.

Estes cães de tipo Spitz, muito semelhantes ao Husky Siberiano, eram usados, sobretudo, para puxar trenós carregados com alimentos e outros suprimentos, atravessando terrenos áridos sob temperaturas gélidas. Assim, graças a eles, era possível transportar de forma eficaz mercadorias entre várias localidades do Alasca. Não é por acaso que o Malamute do Alasca desenvolveu um corpo robusto e musculado, essencial para cumprir a sua função. A sua força e resistência, as características que o destacam, sobrepõem-se claramente à sua velocidade.

As tribos do Árctico também utilizavam o Malamute para as auxiliarem na caça e, segundo algumas fontes, para aquecerem as crianças nas longas noites de Inverno. Apesar de serem usados para o trabalho, os povos nativos do Árctico cuidavam bem dos seus cães, reconhecendo o papel que estes tinham para a sua própria sobrevivência.

A Corrida do Ouro do Alasca, também conhecida como Corrida do Ouro de Klondike, ocorrida entre 1896 e 1899, trouxe dezenas de milhares de pessoas para esta região em busca do metal precioso. Muitos cães acompanharam estas pessoas para as ajudarem a transportar os seus mantimentos, acabando por serem cruzados com cães nativos. Mas, uma vez que os Mahlemuts eram uma tribo relativamente isolada, o Malamute do Alasca manteve a sua pureza.

O aventureiro norte-americano Arthur T. Walden, que havia participado na Corrida do Ouro do Alasca, contactou com o Malamute do Alasca e apaixonou-se de imediato, começando, então, a fazer criação. Foi ele que levou a raça a sair do anonimato e a ficar conhecida em todo o mundo como um excepcional cão de tracção.

Na década de vinte e trinta do século XX, alguns exemplares da criação de Walden participaram nas expedições à Antárctida, designadamente à Terra de Marie Byrd – uma porção de terra deste continente descoberta pelo almirante norte-americano Richard Byrd, que a baptizou com o nome da sua mulher.

Paul Voelker foi outro criador importante para o desenvolvimento do Malamute que hoje conhecemos, tendo criado uma variedade ligeiramente diferente da de Walden. Alguns cães da variedade criada por Voelker foram usados na segunda expedição de Richard Byrd à Antárctida e foram, também, usados nas duas Guerras Mundiais. À semelhança do que aconteceu com tantas outras raças, a II Grande Guerra levou o Malamute quase à extinção. 

Actualmente, o Malamute do Alasca, para além das suas funções originais, é muito utilizado para operações de busca e salvamento. Naturalmente, de entre os desportos de tracção, como as corridas de trenó, é dos que tem um melhor desempenho. Felizmente, esta maravilha do Árctico é cada vez mais apreciada como animal de companhia.

temperamento

Tão independente como brincalhão

As semelhanças do Malamute do Alasca com um lobo levam muitos a pensar que é distante e pouco amistoso. No entanto, apesar de ser um cão independente e de não ser daqueles que está sempre atrás dos seus donos, é um óptimo cão de família, com quem gosta de brincar e se mostra sempre afectuoso. Ao contrário de muitas outras raças, o Malamute não é um cão de um só dono, tendo uma relação próxima com todos os membros da família.

Esta raça mostra-se também simpática com todas as pessoas em geral, mesmo que sejam desconhecidas. Esta característica, aliada ao facto de ladrar pouco, fazem dela um mau cão de alerta e de guarda. A sua proximidade sanguínea com o lobo e o facto de nunca ter sido desenvolvida para actuar como cão de guarda, faz com que uive muito mais do que ladra.

A relação com outros animais, designadamente cães, deve ser promovida desde cedo para que seja equilibrada.  À semelhança do que acontece com o Husky, existe uma certa imprevisibilidade do Malamute quando está na presença de outros cães, o que deve ser levado em conta pelos seus donos. Porém, a socialização activa e controlada não pode, em momento algum, ser descurada.

O espírito independente desta raça faz com que o treino seja desafiante. Os seus donos devem ser pacientes e persistentes porque os seus limites vão ser testados. É fundamental, por um lado, evitar uma abordagem agressiva, que apenas prejudicará o processo de aprendizagem e a relação com o cão, e por outro, tornar os treinos divertidos, tirando partido da inteligência da raça e reforçando com recompensas os comportamentos que queremos ver assimilados.

O Malamute do Alasca necessita de ser exercitado fisicamente, uma vez que é um cão que foi desenvolvido para o trabalho e que, por isso, precisa de ter uma vida activa. Fruto da sua função original, qualquer actividade que envolva tracção será do seu agrado. Isto também significa que os passeios à trela devem ser treinados desde cedo, caso contrário os donos arriscam-se a ser arrastados pela rua fora.

Se não for convenientemente estimulado física e psicologicamente, irá tornar-se destrutivo, roendo todo o tipo de coisas. Caso esteja num jardim, tentará trepar as cercas e escavar grandes buracos.

Esta não é a raça ideal para viver num apartamento, adequando-se muito melhor a viver numa casa onde tenha acesso a um grande espaço exterior. 

saúde

Em termos gerais, esta é uma raça saudável.  Todavia, como acontece com qualquer outra, existem algumas doenças que a podem afectar.

A displasia da anca e do cotovelo, ambos problemas hereditários e que costumam afectar raças de grande porte, são anomalias que podem afligir o Malamute do Alasca. A primeira caracteriza-se por um desenvolvimento anormal da cabeça do fémur e/ou do acetábulo. A segunda caracteriza-se por um desenvolvimento anormal do cotovelo.

Outro problema que também está associado a cães de grande porte e que pode afectar o Malamute é a torção do estômago. Esta acontece quando o estômago se torce sobre si mesmo, formando um nó e bloqueando a passagem dos alimentos. Quando isto acontece, o cão deve ser levado urgentemente para o veterinário, caso contrário acabará por morrer em agonia.

O hipotireoidismo, caracterizado por uma produção anormalmente baixa dos hormônios da tireóide, também pode ocorrer. Os sintomas podem incluir uma pelagem seca, secreção ocular, membranas mucosas pálidas e um enfraquecimento da capacidade mental.

Finalmente, importa referir mais dois problemas, ambos relacionados com o aparelho visual. O primeiro são as cataratas, nomeadamente as cataratas juvenis, que ocorrem normalmente entre os 12 e os 24 meses de idade. Raramente este tipo de cataratas levam à cegueira mas é muito importante estar atento a este problema que se caracteriza pela perda progressiva da transparência do cristalino (lente natural do olho). O segundo problema é a hemeralopia, que aparece, geralmente, por volta das oito semanas. Esta pode ser facilmente detectada, uma vez que os cachorros afectados esbarram e tropeçam nos objectos que estão à sua volta, e evitam estar expostos à luz do sol, procurando as zonas com sombra e sentindo-se mais confortáveis durante a noite. Este problema, também conhecido como cegueira diurna, pode ser gerido de forma a dar aos cães afectados uma qualidade de vida razoável.

Relativamente aos cuidados com a pelagem, o Malamute do Alasca exige alguma atenção, sendo uma das raças que mais pêlo larga. A sua densa pelagem, que serve para o proteger das temperaturas mais baixas, necessita de uma manutenção diária, que deve ser assegurada através de uma escovagem paciente.

O odor do Malamute é praticamente imperceptível.

características

Curiosidades

Durante a I Guerra Mundial, 450 exemplares de Malamute do Alasca foram enviados para França com o objectivo de abastecerem com bens essenciais, designadamente alimentos, as tropas francesas isoladas em zonas montanhosas de difícil acesso.