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Cão Nosso - Pet Sitting

Pug

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

Uma raça chinesa que conquistou as casas reais europeias

Como acontece com quase todas as raças antigas, a origem do Pug é motivo de debate e controvérsia. Alguns historiadores defendem que foram os cães de colo da dinastia Shang, que governou a China entre 1766 a.C. e 1122 a.C. No entanto, o mais provável é que o Pug tenha sido criado pelos budistas há mais de 2400 anos atrás. Através de um processo de miniaturização dos Mastins do Extremo Oriente, os monges budistas terão criado e desfrutado da companhia destes cães que rapidamente conquistaram os imperadores chineses. Não por acaso, a milenar tradição de criação chinesa privilegia os cães de nariz arrebitado.

Após ter-se difundido pela China, Tibete e Japão, o Pug chega à Europa no século XVI, através dos mercadores da Companhia Holandesa da Índia Oriental, numa altura em que a Holanda tinha um papel central no comércio entre a Europa e a Ásia. A popularidade do Pug alcançou uma dimensão inimaginável quando William, Príncipe de Orange, que liderou a revolta dos Países Baixos contra a ocupação espanhola no século XVI, foi salvo pelo seu cão, um Pug chamado Pompeu. Enquanto dormia, um grupo de assassinos espanhóis tentou, sob a calada da noite, assassiná-lo. No entanto, estes não contaram com a presença de Pompeu que, apercebendo-se da sua presença, deu o alerta, ladrando e saltando para cima do Príncipe, que acabou por acordar a tempo de escapar.

Este acto heróico levou a que o Pug fosse nomeado como cão oficial da Casa de Orange, o que tornou a raça conhecida a nível internacional. Pompeu presenciou a coroação do Príncipe William II, tendo sido esculpido no túmulo do seu dono, onde aparece deitado aos seus pés.

Desde então, muitas casas reais por toda a Europa adoptaram esta raça como cão de colo, desde Catarina a Grande, Imperatriz da Rússia, até Maria Antonieta e Josefina, respectivamente Rainha e Imperatriz de França.

Mas foi a Rainha Vitória de Inglaterra quem mais contribuiu para o seu desenvolvimento, ajudando-o a alcançar grande notoriedade, principalmente no Reino Unido, tendo-se ocupado da criação desta raça e chegando a ter 36 exemplares! A aparência do Pug tal como a conhecemos hoje, deve-se muito a esta Rainha, que, em 1860, cruzou os seus cães com um conjunto de exemplares directamente importados da China, os quais tinham as pernas mais curtas e um focinho mais semelhante ao actual. Quando Bosco, o seu Pug preferido, morreu, a Rainha Vitória ordenou a construção de um mausoléu em Frogmore House, a sua casa de campo situada em Berkshire. Na respectiva lápide, está escrito: “Bosco, o cão favorito de Sua Alteza Real”.

Ao longo dos tempos, muitos artistas representaram esta raça nas suas pinturas – foi o caso de Goya. Os Duques de Windsor, apaixonados por estes cães, que os acompanhavam em muitos eventos sociais, tinham as suas casas decoradas por peças de arte onde os Pugs estavam representados.

A origem do nome Pug é, tal como a própria raça, alvo de debate. Para uns, esta deriva da palavra latina “pugnus”, que significa punho. Outros defendem que deriva do nome dado, precisamente “Pug”, a um tipo de saguins que foram, em tempos, criados como animais de estimação. Outros, ainda, argumentam que este nome vem do significado em inglês para a expressão “Pug-Dog”, que significa cão pequeno. Na Alemanha, esta raça é conhecida como Mops, nome que deriva da palavra germânica moppen, que significa aspecto franzino. Em França, é conhecida como Carlin, nome de um célebre actor do teatro popular, que fazia de arlequim – um tipo de personagem que tinha a função de divertir o público durante os intervalos dos espectáculos e que aparecia com a cara pintada, muitas vezes de preto. As semelhanças são, de facto, evidentes, já que o Pug tem uma máscara preta e é particularmente cómico.

Graças à sua boa-disposição e ao seu porte pequeno, que se adequa perfeitamente à vida num apartamento, o Pug tem vindo a manter a sua popularidade. Como aconteceu com muitas outras raças que alcançaram um grande sucesso, alguns criadores sem escrúpulos ignoraram a qualidade da sua criação, centrando-se somente no dinheiro e criando cães fora do estalão. Assim, interessa, como para qualquer outra raça, estudar muito bem o criador a quem se pretende adquirir um Pug.

temperamento

Uma personalidade forte e afectuosa

Muito afectuoso e apegado ao seu dono, gostando de o seguir para todo o lado, o Pug está sempre pronto para o convívio e para a brincadeira, mostrando-se sociável, inclusivamente para com outros animais. A sua forte personalidade conquista facilmente as pessoas à sua volta, divertindo-as e ocupando o centro das atenções. No entanto, não tolera ficar sozinho, entrando facilmente em stress e ganhando níveis de ansiedade indesejáveis.

Apesar de ser muito teimoso e difícil de treinar, constitui um excelente cão de família, suportando, ao contrário de muitos cães pequenos, algumas das traquinices dos mais novos, sem nunca se mostrar agressivo. O seu pequeno porte faz dele um bom cão de apartamento, apesar de ser fundamental proporcionar-lhe actividade física.

Uma característica especial desta raça é a forma como se manifesta, emitindo um som semelhante a um roncar. Contudo, se quiser avisar o dono relativamente a alguma coisa, é perfeitamente capaz de ladrar.

saúde

Os problemas oculares e respiratórios são bastante comuns nesta raça. O seu focinho achatado faz com que as vias respiratórias sejam estreitas, podendo causar-lhe falta de ar, especialmente nos dias mais quentes. Tanto o excesso de calor como o excesso de frio podem causar-lhe sérios danos, pelo que se deve evitar que fique exposto a climas extremos.

A sua dieta deve ser bem controlada, uma vez que facilmente ficam obesos. O seu apetite não tem limites e terão que ser os donos a estabelecê-los. É também importante que façam longas caminhadas, para que se mantenham saudáveis e felizes.

As rugas no focinho devem estar sempre limpas e secas, para que se evite, por um lado, os problemas de pele, e por outro, o aparecimento de úlceras nos olhos, os quais, por serem muito salientes, ficam muito expostos.

Mas a doença que mais tem atormentado esta raça é a encefalite do Pug, que afecta o seu sistema nervoso central, manifestando-se nos cães mais jovens através de um conjunto de sintomas, designadamente movimentos descoordenados, paralisia e cegueira. Felizmente, foi desenvolvido um teste que permite identificar geneticamente a susceptibilidade de um cão para desenvolver esta doença, bem como um aparelho que minimiza a sua incidência. Todavia, continua por se descobrir se a encefalite do Pug é geneticamente transmissível.

Finalmente, no que respeita ao pêlo, os cuidados são pouco exigentes, bastando uma escovagem regular para remover a sujidade e os pêlos mortos.

características

Curiosidades

Após se ter casado com Alexandre de Beauharnais, com quem teve dois filhos, Josefina viu o seu marido ser preso no seguimento da Revolução Francesa. Ela própria acabaria também por ser presa, recorrendo ao seu Pug, chamado Fortune, para enviar mensagens ao marido, escondendo-as na coleira. Alexandre acabaria morto na guilhotina na Praça da Revolução mas Josefina foi libertada após o fim do “período do terror”, tendo acabado por se casar com Napoleão Bonaparte, tornando-se Imperatriz de França.

Na noite do casamento, Napoleão recusou partilhar a sua cama com Fortune mas, chocando com a intransigência de Josefina que se fazia acompanhar pelo seu Pug para todo o lado, foi obrigado a ceder. A relação entre Fortune e Napoleão foi sempre conflituosa e tudo o que o Imperador queria era vê-lo à distância.

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