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Tudo sobre Cães

27.07.2020

O TRÁGICO E REVELADOR INCÊNDIO DE UM CANIL EM SANTO TIRSO

A tragédia que aconteceu no “abrigo” Cantinho 4 Patas, situado na Serra da Agrela, em Santo Tirso, despertou o país para uma realidade tão cruel que muitos têm dificuldade em encarar.

A tragédia que aconteceu no “abrigo” Cantinho 4 Patas, situado na Serra da Agrela, em Santo Tirso, despertou o país para uma realidade tão cruel que muitos têm dificuldade em encarar. Interessa saber o que se passou e como podemos ajudar. Não deixamos também de deixar aqui a nossa posição sobre este tema que nos é tão caro.

Para todos aqueles que estão conscientes das condições dantescas em que inúmeros animais vivem em Portugal e dos muitos canis ilegais que existem de norte a sul, o que se passou em Santo Tirso não constitui uma surpresa. Contudo, isso não pode amenizar a nossa indignação perante um crime que, pela sua dimensão, mereceu especial atenção dos meios de comunicação social.

O que aconteceu no Canil Cantinho 4 Patas?

No Sábado, dia 18 de Junho, um incêndio que deflagrou na Serra da Agrela, situada no distrito do Porto, atingiu um canil ilegal em Santo Tirso, chamado “Cantinho 4 Patas”. Os cães e gatos que viviam neste canil estavam entregues a uma condição de subnutrição e a uma total ausência de cuidados veterinários.

Esta realidade foi ignorada pelo então veterinário municipal, entretanto suspenso das suas funções, e por várias entidades que, sabendo do que se passava, pouco ou nada fizeram para a denunciar. Em 2018, foi apresentada uma queixa que denunciava as condições deste canil, todavia o Ministério Público arquivou o processo sob a argumento de “não haver crueldade em manter animais num espaço sujo, com lixo, dejectos e mau cheiro”.

Relativamente à proprietária do canil, veio a descobrir-se que os cuidados que prestava aos animais assemelhavam-se aos que prestava à sua própria mãe, o que, em bom rigor, seria até previsível, uma vez que, quem está atento à dura realidade dos maus-tratos a animais sabe que aqueles que os praticam possuem graves problemas psicológicos e/ou são desprovidos de humanidade, destratando tanto pessoas como animais.

Dezenas de cidadãos, informados sobre este incêndio, deslocaram-se prontamente para o canil, muitos dos quais vindos de zonas do país que ficam longe de Santo Tirso, designadamente Lisboa. Já no local, perante um cenário difícil de descrever, com cães carbonizados e outros à beira de o serem, desesperados por fugirem ao calor das chamas e mal conseguindo pôr as patas num solo que lhes queimava a carne, foram impedidos de intervir pela GNR.

Sim, perante a agonia dos animais, os guardas, cumprindo o que lhes fora mandado, deram primazia ao direito de propriedade privada face ao direito de socorrer animais que correm perigo de vida. Quando, finalmente, aquelas pessoas puderam entrar e ajudar, evitando males maiores, já era tarde para 73 animais (69 cães e 4 gatos).

A nossa opinião sobre este incêndio que matou dezenas de animais

Apesar de não termos sido surpreendidos, pois sabemos bem o país em que vivemos, não deixámos de ficar revoltados com a situação. Como é possível que, tendo a nossa lei mecanismos necessários para evitar esta tragédia, a mesma se desenrolou perante pessoas dispostas a evitá-la, impotentes perante a inflexibilidade das autoridades policiais?

É certo que os animais, embora reconhecidos pela nossa lei como seres vivos dotados de sensibilidade e tendo, actualmente, alguns mecanismos de protecção civil, não estão incluídos nos Planos de Protecção Civil. Há já vários anos que várias organizações, como o PAN, alertam para esta realidade. Seja como for, isto nunca poderia justificar a violação do dever de auxílio (previsto na nossa lei), que trouxe consequências fatais para dezenas de animais que perderam a vida de forma atroz.

O facto de os animais se encontrarem em propriedade privada nunca poderia justificar o que aconteceu e, por isso, é imperioso apurar as responsabilidades criminais de todos os envolvidos – proprietários do espaço, o veterinário municipal, GNR, vereador com o pelouro da protecção animal, presidente da câmara, etc.

Infelizmente, pelos que perderam a vida já nada podemos fazer, no entanto, depende de nós evitar tragédias como aquela que aconteceu em Santo Tirso. Há muito a fazer em Portugal no que concerne à protecção dos direitos dos animais. Esperamos que este episódio desperte a sociedade para a realidade dos inúmeros canis ilegais, onde as condições oferecidas ultrapassam a nossa imaginação.

Não basta depositar num qualquer canil os cães que são encontrados na rua. Este é um tema que merece ser amplamente debatido e, por mais difícil que seja, deve ser feito de forma racional e elevada.

Esperamos que a abertura de um inquérito ordenada pelo Ministério da Administração Interna com vista ao apuramento de responsabilidades seja consequente.

Como podemos ajudar os cães e gatos que sobreviveram ao incêndio de Santo Tirso?

É nas grandes tragédias que os grandes gestos aparecem. Primeiro, todas aquelas pessoas que, num puro acto de civismo e compaixão, se deslocaram ao local para ajudar. Segundo, todas as associações que estão a acolher dignamente estes animais e todas as pessoas que, podendo, os estão a adoptar.

Para todos aqueles que querem ajudar mas não sabem como, deixamos aqui três recomendações:

1- Divulgar o que aconteceu e não deixar que este tema caia no esquecimento.

2-Assinar a petição pública que está a circular para pedir à Assembleia da República que se faça justiça sobre este caso.

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT101691

3- Ajudar as associações que acolheram os cães sobreviventes. Conseguimos entrar em contacto com algumas destas associações com o intuito de saber a melhor forma de as ajudar:

Nota: a fotografia em destaque deste artigo é da autoria de Miguel Pereira, da Global Imagens