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Cão Nosso - Pet Sitting

Shar Pei

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

Uma história tão antiga quanto atribulada

Originário da China, o Shar Pei, nome que significa “pele de areia”, tem uma história antiga e atribulada. Através de estátuas e de desenhos em cerâmica, calcula-se que os seus antepassados sejam do tempo da Dinastia Han, que liderou o gigante asiático entre 206 a.C. e 220 d.C..

O desenvolvimento do Shar Pei terá ocorrido nas aldeias da província de Guangdong, situada no sul da China, através do cruzamento entre mastins e cães tipo spitz (raças nórdicas). É um parente muito próximo do Chow Chow com quem tem várias semelhanças, como a cor azul da língua.

Ao longo dos tempos, esta raça foi utilizada como cão de guarda da família imperial e de propriedades, como cão de pastoreio e como cão de caça grossa. Mais tarde, através do apuramento da sua força e das pregas do seu focinho, veio a ser utilizado nas lutas de cães. Estas pregas, para além de o protegeram das mordidelas, causavam irritação na boca dos seus adversários. Para além disto, as pregas permitiam ao Shar Pei manter a agilidade nos momentos em que era mordido, uma vez que conseguia movimentar-se e reagir ao ataque.

A criação do Shar Pei sofreu um duro golpe, à imagem do que aconteceu com as outras raças chinesas, com a revolução de 1949, liderada por Mao Tse-tung. O fundador da República Popular da China considerava a posse de animais de companhia um luxo, impondo leis que proibiam a posse de cães como animais de estimação. Aqueles que ousassem desobedecer a estas leis eram punidos e os seus cães executados. Paralelamente a esta situação, o Shar Pei começou a ser apreciado como uma iguaria, o que veio a dificultar ainda mais a sua sobrevivência. Estas circunstâncias fizeram com que a criação rigorosa do Shar Pei deixasse praticamente de existir e que os traços que o caracterizavam se começassem a perder.

Foi em Hong Kong que esta raça foi salva da extinção, graças a um conjunto de dedicados criadores, sendo o principal Matgo Law, que, em 1973, apelou aos norte-americanos para que salvassem a raça. Foi assim que, ainda na década de setenta do século XX, o Shar Pei chegou aos Estados Unidos, onde se tornou, devido às pregas que o diferenciam de todas as outras raças, num sucesso imediato. Nestes anos, a raridade da raça, aliada à sua enorme procura, levou a que fossem cobrados preços altíssimos pelos seus exemplares.

A recuperação demasiadamente rápida da raça originou alguns desvios temperamentais e morfológicos, como rugas excessivamente pronunciadas, levando a que os criadores de Hong Kong e Macau delineassem uma distinção entre a variedade original, criada na China, e a variedade Ocidental.

De facto, o Shar Pei original apenas apresenta rugas no focinho, no peito e na base da cauda, ao contrário do Ocidental que tem rugas pelo corpo todo, levando a que tenha mais problemas cutâneos.

Nos últimos anos, muitos criadores europeus e norte-americanos têm procurado corrigir estes erros de criação.

temperamento

O cão felino

Nenhuma raça se assemelha a esta. Os estalões chineses descrevem-na de uma forma poética: “orelhas de concha de amêijoa, nariz de borboleta, cabeça em forma de melão, face de velha, pescoço de búfalo da Índia, nádegas de cavalo e patas de dragão”.

Muito afectuoso e protector para com a sua família, o Shar Pei constitui um bom cão de guarda, uma vez que é, por natureza, desconfiado em relação a estranhos e, ao mesmo tempo, bastante territorial. Estas características, a par da sua teimosia, fazem com que seja fundamental sociabilizá-lo e treiná-lo desde pequeno para que se torne menos reservado e mais cumpridor das regras que lhe são impostas.

A sua personalidade tranquila e bastante independente e o facto de ladrar pouco e de demorar tempo a adaptar-se a novos ambientes fazem com que muitas pessoas o comparem aos felinos. Aliás, segundo alguns criadores, esta raça prefere viver com um gato em casa do que com outro cão.

O Shar Pei adequa-se perfeitamente à vida num apartamento, desde que tenha os estímulos físicos e psicológicos suficientes para se manter equilibrado.

saúde

As doenças de pele hereditárias afectam grande parte dos exemplares desta raça. Muitas vezes, as rugas provocam um mau cheiro devido às infecções, pelo que é fundamental mantê-las limpas e secas. Contudo, a melhor maneira de prevenir este tipo de problemas passa por, como se deve fazer com todas as outras raças, seleccionar muito bem o criador a quem se vai adquirir um exemplar, observando os progenitores da ninhada e procurando detectar potenciais problemas.

características

Curiosidades

Devido à hostilidade da política da República Popular da China relativamente à posse de cães para companhia, principalmente no século passado, o Shar Pei esteve muito perto da extinção, chegando, em 1974, a ser considerado pelo Guinness World Records como a raça mais rara do mundo.

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