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Cão Nosso - Pet Sitting

American Pit Bull Terrier

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O guerreiro perseguido

O bull-baiting foi, durante muito tempo, uma actividade extremamente popular no Reino Unido, principalmente durante o século XVIII e inícios do século XIX. Esta sádica actividade consistia na organização de combates entre os antigos Bulldogs (bastante diferentes dos actuais) e touros, que se costumavam desenrolar em arenas montadas para este efeito. O objectivo era que os cães mordessem e agarrassem o touro, que estava amarrado a uma corda, até que este caísse. 

Felizmente, em 1835, o parlamento inglês proibiu esta actividade através do Cruelty to Animals Act, que terá sido, provavelmente, a primeira legislação a ser redigida no Ocidente contra os maus tratos a animais. Contudo, uma vez que os apreciadores destas bárbaras actividades continuavam a estar dispostos a tudo para assistirem a este tipo de espectáculos, passaram a ser organizadas lutas de cães, que escapavam mais facilmente ao controlo das autoridades. Foi então que, percebendo que o antigo Bulldog era demasiadamente pesado para este tipo de lutas, o cruzaram com o antigo Terrier Inglês, dando origem ao Bull-and-Terrier, um cão que juntava a força à tenacidade e à agilidade que esta actividade exigia.

Por volta de 1850, os Bull-and-Terriers foram levados por emigrantes do Reino Unido, nomeadamente por irlandeses, para os Estados Unidos, onde, para além das lutas, eram utilizados para a caça grossa e como cães boiadeiros. Criadores norte-americanos criaram e apuraram o Bull-and-Terrier à sua maneira, cruzando diferentes cães que eram chamados genericamente de “pits”, acabando por dar origem ao American Pit Bull Terrier, que, em 1898, foi reconhecido pelo United Kennel Club (UKC). Este clube é, aliás, o único grande clube a reconhecer esta raça. O American Kennel Club (AKC), o mais antigo clube canino norte-americano, não reconheceu, ainda, o Pit Bull. 

Entre as décadas de 1920 e 1970, as lutas de cães atingiram o seu auge nos Estados Unidos. Os participantes destes tristes espectáculos tinham, na sua maioria, uma preferência pelo American Pitt Bull Terrier. 

Associada a ataques violentos, esta raça tem sido proibida de entrar em diversos países, como o Canadá, Noruega, Inglaterra ou Dinamarca, tornando-a num autêntico bode expiatório. 

Continuam a existir pessoas que utilizam o Pit Bull para os piores fins e que, por consequência, reforçam a imagem negativa a que a raça está hoje associada. Contudo, felizmente, existem também muitos donos que tratam dos seus “pits” com carinho e que corajosamente procuram demonstrar à sociedade onde se inserem o companheirismo, a lealdade e a inteligência desta raça, que, graças à sua versatilidade, tem participado com sucesso em campeonatos de obediência, faro, agility, tracção, entre outras modalidades desportivas. 

temperamento

Um amigo que vive para a família

Muito dócil para com os seres humanos, o American Pit Bull Terrier faz tudo para agradar ao dono, mostrando uma grande obediência. Antes da “histeria” à volta do Pit Bull, esta raça era bem vista pelas pessoas em geral, graças à sua devoção para com a sua família e ao seu espírito brincalhão. Tanto na série como no filme “The Little Rascals”, a primeira produzida nos anos 30 e o segundo em 1994, a personagem de Pete, um Pit Bull, é apresentada como sendo extremamente afectuosa e atenciosa para com as crianças.

De acordo com a American Temperament Test Society (ATTS), instituição que analisa e avalia o temperamento de milhares de cães de diferentes raças nas mais variadas situações, o Pit Bull tem um alto índice de aprovação no que respeita ao equilíbrio temperamental, estando entre os mais dóceis e menos propensos a atacarem pessoas. No entanto, a popularidade desta raça levou a cruzamentos inapropriados e que geraram cães com graves desvios temperamentais, satisfazendo os desejos criminosos dos admiradores das lutas de cães e manipulando a avaliação da generalidade das pessoas sobre esta raça.

Apesar de, como foi referido, o “pit” ser um cão obediente, isso não significa que o treino deva ser posto de parte, bem pelo contrário. A dedicação e a consistência são fundamentais para o desenvolvimento de um cão equilibrado, independentemente da raça. Quando bem treinado, o Pit Bull pode assumir diversas funções, como cão de busca e salvamento ou cão polícia.

Importa salientar que os exemplares desta raça têm, muitas vezes, uma baixa tolerância para com outros cães, o que se compreende pela sua história. Por esta razão, o Pit Bull deve ser impreterivelmente sociabilizado desde cachorro, para que não veja nos outros cães potencias inimigos a abater.  

A enorme força e energia desta raça atlética deve ser canalizada durante os passeios, proporcionando-lhe grandes corridas e muita brincadeira. Um dono que dê ao seu “pit” tudo o que ele precisa, está a oferecer um precioso contributo para a imagem da raça, dando a conhecer o seu verdadeiro carácter à sociedade. 

saúde

Apesar de ser uma raça rústica e saudável, existem algumas doenças que podem afectar o American Pit Bull Terrier. A displasia da anca, ou displasia coxofemoral, os problemas cardíacos, o hipotireoidismo (disfunção da glândula da tireóide) e as alergias de pele são as doenças mais comuns. Relativamente a estas últimas, o red nose (um subtipo desta raça), e os exemplares de pelagem branca são os que mais sofrem. 

Não sendo necessário especiais cuidados com a pelagem, é importante que estes cães sejam escovados semanalmente para a remoção dos pêlos mortos, até porque os Pit Bulls têm tendência para largar bastante pêlo. Os banhos devem ser dados apenas quando é necessário, uma vez que a sua pele é bastante sensível e a sua oleosidade natural ajuda a mantê-la saudável.

características

Curiosidades

Vistos como o diabo em formato canino, os cães desta raça são proibidos em muitos países e alvo de uma enorme desconfiança e desconsideração pela generalidade das pessoas. Porém, esta percepção foi desenvolvida recentemente, principalmente a partir dos anos 80, como consequência da aquisição, por parte de pessoas sem escrúpulos, de exemplares desta raça para os piores fins, como as lutas de cães. Para além disto, foram realizados cruzamentos sem qualquer conhecimento, criando-se cães desequilibrados e mais propensos à agressividade. Foi este encadeamento que levou a que os meios de comunicação transformassem o Pit Bull num autêntico demónio.

Antes da construção desta percepção, principalmente durante o último quarteto do século XIX e o final da Segunda Guerra Mundial (1945),o Pit Bull era visto pelas sociedades ocidentais como um verdadeiro cão de família, extramente leal e com um temperamento especialmente estável, apreciando, particularmente, a companhia das crianças. Esta característica comportamental levou a que esta raça fosse chamada de “nanny dog”, que significa babysitter canino, o que, nos dias de hoje, seria uma consideração absolutamente impensável. A ligação do Pit Bull com as pessoas, mesmo com aquelas que lhes eram estranhas, levou a que fossem vistos como péssimos cães de guarda, uma vez que não encaravam ninguém como um intruso. 

O United Kennel Club traça de uma forma bastante objectiva as características que perfazem verdadeiramente o American Pit Bull Terrier: “As características essenciais do American Pit Bull Terrier (APBT) são a força, a confiança e o gosto pela vida. É uma raça ansiosa por agradar e repleta de entusiasmo. Os APBT são excelentes companheiros familiars e foram sempre notados pelo seu amor pelas crianças. […] O APBT não é a melhor escolhe para um cão de guarda, considerando que são extremamente amigáveis, mesmo com estranhos.”

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