icon openMenu
Cão Nosso - Pet Sitting

Pointer Inglês

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O Ferrari dos cães de parar

Durante os séculos XVI e XVII, alguns cães de apontar, vindos, principalmente, de Portugal e Espanha, foram levados para a Grã-Bretanha. Estas raças ibéricas estão na origem do Pointer Inglês que, na passagem do século XIX para o século XX, foi aperfeiçoado através do cruzamento de, pelo menos, quatro raças: Greyhounds, Foxhounds, Bloodhounds e Bull Terriers.

O resultado destes cruzamentos originou um cão com uma capacidade física impressionante, capaz de percorrer longas distâncias. Se, num determinado momento, o Setter acolhia a preferência de todos os caçadores, mais tarde o Pointer veio roubar-lhe o protagonismo, sendo considerado, em muitas tarefas, mais eficiente. Frequentemente, esta raça trabalha em conjunto com os Greyhounds, a quem indica a localização da presa para que estes se lancem na sua perseguição.

A conhecida postura do Pointer quando aponta a caça, de nariz arrebitado e observando atentamente a presa, fulminando-a com o olhar, revela o seu carácter de compromisso que tanto agrada aos caçadores. Esta característica forma de revelar o posicionamento da presa, através de uma harmoniosa postura corporal, com o focinho a servir de mira, valeu-lhe o nome de Pointer, palavra que deriva do verbo inglês to point, que significa apontar.

Muitos consideram esta raça como o Ferrari dos cães de parar, dada a velocidade que consegue atingir. No entanto, a sua necessidade de fazer exercício vigoroso quase diariamente impede-a de se tornar num popular cão de companhia.

temperamento

Tão meigo quanto activo

Muito meigo e chegado à sua família, o Pointer Inglês tem uma excelente relação com crianças, mostrando-se sempre dócil e compreensivo, bem como com outros cães. O apego à família leva-o a não tolerar estar sozinho durante longos períodos de tempo, podendo tornar-se destrutivo e ganhar tendência a ladrar excessivamente. Relativamente a pessoas estranhas, nunca demonstra comportamentos agressivos, podendo apenas adoptar uma atitude reservada e tímida, pelo que é importante que seja sociabilizado desde pequeno para que se torne confiante.

Não constitui um bom cão de guarda, deixando qualquer estranho entrar no seu território, apesar de, pelo facto de ladrar para sinalizar a presença de pessoas que lhe são alheias, poder ser um bom cão de alerta.

O facto de ser um cão muito activo, que necessita de exercício físico vigoroso, exige que o dono lhe proporcione longas caminhadas e corridas, não bastando deixá-lo sozinho no jardim, por maior que este seja. No entanto, a sua energia pode ser muito bem empregue pelos caçadores, uma vez que é capaz de trabalhar em terrenos abertos e com grandes extensões. É o companheiro ideal para a caça da pena (perdizes, codornizes, galinholas, faisões, etc.), sendo até capaz, embora não tenha sido criado para essa finalidade, de cobrar a caça (trazer a peça ao dono) tanto em terra como na água.

saúde

Sendo, genericamente, um cão bastante saudável, os problemas que o Pointer Inglês mais apresenta são a displasia da anca, as cataratas e a perda auditiva.

A sua curta pelagem não exige grande manutenção, bastando escová-la semanalmente para remover os pêlos mortos e a sujidade.

características

Curiosidades

Provavelmente, o Pointer Inglês que alcançou maior prestígio internacional foi Judy, uma cadela que viveu entre 1936 e 1950. Uma autêntica marinheira, Judy trabalhou a bordo do HMS Gnat e do HMS Grasshopper antes, e durante, a II Guerra Mundial. Esta Pointer era capaz de ouvir os aviões que se aproximavam, alertando imediatamente a tripulação. Após a declaração de guerra do Reino Unido à Alemanha, a tripulação onde se encontrava Judy foi atacada durante a Batalha de Singapura. Este ataque levou ao naufrágio do Grasshopper, de onde Judy, que ficou entalada no meio de vários cacifos, foi salva por um marinheiro que regressou ao navio à procura de mantimentos.

A tripulação foi parar a uma ilha indonésia e, graças a Judy, que encontrou uma fonte de água fresca, todos sobreviveram e iniciaram uma longa caminhada para junto de outras forças britânicas que se encontravam numa base naval, tendo percorrido 322 Km pela selva durante 5 semanas, onde Judy conseguiu sobreviver a um ataque de um crocodilo. Quando chegaram ao seu destino, o último navio havia partido em retirada no dia anterior, deixando-os à mercê dos soldados nipónicos, que os fizeram prisioneiros.

Todos, incluindo Judy, foram transferidos para o campo de prisioneiros de Medan, onde estava o piloto da força aérea Frank Williams, que viria a adoptar a cadela. Williams convenceu o comandante do campo a tratar a cadela como uma prisioneira de guerra, salvando-a da morte. Judy tornou-se, assim, no único cão a ser registado como prisioneiro de guerra durante a II Guerra Mundial.

Tendo passado por vários campos de prisioneiros, Judy voltou a provar a sua heroicidade quando sobreviveu ao naufrágio do navio alemão SS Van Warwyck, tendo salvo vários passageiros de se afogarem. De seguida, volta para outro campo de concentração onde reencontra Frank Williams. Já depois do fim da guerra, Judy voltou a estar perto da morte quando os soldados japoneses quiseram matar todos os prisioneiros na sequência de um surto de piolhos. Williams conseguiu esconder a cadela até à chegada das tropas britânicas, que os trouxeram de volta para o Reino Unido. Judy teve seis meses em quarentena e, quando saiu, foi galardoada com a medalha Dickin, que homenageia os animais que tiveram um papel importante durante a II Guerra.

Judy viveu o resto dos seus dias com Frank Williams, com quem viajou para a Tanzânia e onde acabou por morrer, devido a um tumor. A sua coleira e medalha foram colocadas em Londres, no Imperial War Museum.

partilhar
partilhar