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Cão Nosso - Pet Sitting

Cão da Serra da Estrela

FICHA TÉCNICA

HISTÓRIA

O velho pastor luso

Uma das raças mais antigas da Península Ibérica, o Cão da Serra da Estrela tem constituído ao longo dos séculos uma ajuda preciosa para os pastores desta cadeia montanhosa. Para além de proteger rebanhos, apresenta a mesma aptidão para a guarda de propriedades.

Embora seja difícil determinar a sua verdadeira origem, esta raça portuguesa deverá descender dos antigos mastins asiáticos que se espalharam pela Europa, sendo parente do Mastim Espanhol.

A função do Cão da Serra da Estrela passou sempre pelo acompanhamento dos rebanhos, responsabilizando-se mais pela sua protecção do que pela sua condução. Era nos lugares mais altos da serra, onde, por um lado, o pasto abundava, e, por outro lado, havia muitos predadores, especialmente lobos, que o papel destes cães mais se destacava.

A transumância podia levá-los para outras regiões, desde o Alentejo até ao Douro. Organizados em grupos que iam dos dois até aos seis indivíduos, os Cães da Serra da Estrela tinham que enfrentar alcateias, fazendo tudo para manter o seu rebanho a salvo. Para vigiarem melhor os potenciais perigos, estes cães subiam para os pontos mais elevados com o objectivo de terem um campo de visão mais amplo.

Muitas vezes, os pastores tinham que, por alguma razão, regressar às aldeias, confiando totalmente a guarda dos rebanhos aos seus cães.

Os desafios com que esta raça se deparou, tendo que enfrentar lobos e resistir a difíceis condições climatéricas, levou a que o seu desenvolvimento se baseasse, quase exclusivamente, no método de selecção natural. Isto significa que somente os cães que sobrevivessem às lutas contra os lobos e às baixas temperaturas poderiam reproduzir-se.

Às duas variedades de pelagem desta raça, curta e comprida, correspondem diferentes regiões geográficas. Na região sul da Serra, onde se fazia sentir mais calor, os Cães da Serra da Estrela tinham uma pelagem comprida, ao passo que na região norte tinham uma pelagem curta, evitando que ficassem com o pêlo húmido e permitindo que este secasse mais rapidamente. Uma vez que os pastores pouco influenciavam a selecção destes cães, os cruzamentos entre as duas variedades eram comuns. Apenas no ano de 1934, quando se estabeleceu o padrão da raça e as suas variedades de pelagem, se passou a evitar o cruzamento entre as duas.

À medida que a população de Lobos Ibéricos foi diminuindo e que a desertificação do interior foi aumentando, sobretudo nos anos sessenta e setenta do século passado, o número de Cães da Serra da Estrela foi-se reduzindo significativamente. Foi graças ao trabalho de um conjunto de criadores que esta raça sobreviveu. A partir deste momento, a interferência humana no seu desenvolvimento passou a ter um papel central, melhorando-se os seus aspectos estéticos e, por consequência, aumentando-se a sua procura.

temperamento

Um guardião de excelência

A inteligência, lealdade e beleza do Cão da Serra da Estrela fazem dele, para além de um cão de guarda de excelência, um óptimo cão de família. É muito afectuoso com os seus donos e meigo com as crianças.

No que se refere ao relacionamento com estranhos, a sua personalidade de cão de guarda torna-o desconfiado, reservado e territorial. Neste sentido, é importante socializá-lo desde pequeno, apresentando-o a todas as visitas.

Como acontece com a generalidade das raças de pastoreio, o Cão da Serra da Estrela, ao ter sido criado para trabalhar sem a supervisão humana, tem um carácter independente, suportando melhor a ausência do dono, desde que não seja excessivamente prolongada.

Esta raça necessita, como todas as outras, de fazer exercício físico diário, embora não seja das mais exigentes a este nível.

É muito importante que tenha um espaço exterior à disposição, para que possa pôr em prática a sua aptidão natural para a guarda. Sendo muito resistente às más condições climatéricas, adapta-se na perfeição à vida no exterior.

saúde

Como se referiu nas referências históricas, o Cão da Serra da Estrela foi, durante séculos, desenvolvido a partir da selecção natural. Este facto permitiu que se tornasse numa raça bastante saudável e pouco propensa a problemas genéticos.

Ainda assim, tem tendência para sofrer de algumas das doenças que afectam as raças de grande porte. A displasia da anca é uma delas, sendo aconselhável verificar se os progenitores tiveram este problema, o mesmo sucedendo com a displasia coxofemoral. A torção do estômago é outro problema que afecta este tipo de raças, sendo importante dosear bem a ração ao longo do dia e evitar a actividade física intensa após as refeições.

A cardiomiopatia dilatada também pode afectar o Cão da Serra da Estrela. Esta caracteriza-se pela dilatação cardíaca e diminuição da espessura do miocárdio, afectando o funcionamento do coração e criando dificuldades respiratórias, e pela acumulação de líquidos nos pulmões e no abdómen, podendo levar à morte do animal.

A alimentação deve ser equilibrada, por forma a evitarem-se problemas de obesidade. O exercício físico é fundamental para o seu equilíbrio, ainda que o Cão da Serra da Estrela não seja uma raça com uma energia inesgotável.

As duas variedades de pelagem exigem, naturalmente, cuidados diferentes. A de pêlo comprido requer maior atenção, sendo necessário uma escovagem diária. Já a de pêlo curto exige apenas uma escovagem semanal. No que se refere ao banho, para qualquer uma das variedades, deve ser dado o mínimo de vezes possível.

características

Curiosidades

O Cão da Serra da Estrela é a mais popular, quer nacional quer internacionalmente, de todas as raças portuguesas, sendo aquela que mais registos apresenta no Clube Português de Canicultura. Apesar de, no início do século XX, a variedade de pêlo curto ser a mais numerosa, uma vez que exigia menos cuidados com o pêlo, actualmente é a variedade de pêlo comprido a mais procurada, por ser considerada mais bonita.

Esta tendência incentivou os criadores a apostarem sobretudo na criação de Cães da Serra da Estrela de pêlo comprido, levando a que a variedade de pêlo curto seja relativamente rara –segundo estatísticas de 2011, os exemplares de pêlo comprido representam 90% da população total dos cães desta raça.

 

Nota: Todas as fotografias expostas do Cão da Serra da Estrela foram gentilmente cedidas pelo Canil da Quinta de São Fernando.

 

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